Libertadores, zoeira de Renato e título: no reencontro, Tartá lembra histórias do Flu

15/01/2018 - Reportagem: Globoesporte.com


Drama pelo vice da Libertadores de 2008, gols decisivos no título Brasileiro de 2010, brincadeiras de Renato Gaúcho… Reforço do Boavista para o Carioca, o meia-atacante Tartá, de 28 anos, recebeu a equipe do GloboEsporte.com, em Saquarema, às vésperas do reencontro com o Fluminense desta quarta-feira, pela primeira rodada do estadual, e abriu o baú de memórias.

Entre os principais temas abordados, Tartá, que foi revelado pelo Fluminense em 2007 e esteve em campo em cinco jogos no vice da América do ano seguinte, não escondeu a ferida aberta pela derrota na final para a LDU nos pênaltis.

“Foi uma noite atípica. Aquela noite, sem sombra de dúvidas, foi a mais triste no futebol que eu pude presenciar. Depois, no decorrer do Campeonato Brasileiro, aquilo continuou incomodando. Foi bem pesado, bem triste”

Autor de gols importantes e decisivos na conquista do tão sonhado título do Brasileiro de 2010, principalmente nos jogos contra Vasco e Palmeiras, Tartá também descreveu o sentimento de sair da base para ser campeão com o clube que o projetou para o futebol.

– Foi importante para mim, ainda mais por eu vir do próprio clube. É um título de expressão. Valeu a pena o clube ter acreditado em mim e eu poder ganhar o título junto com o elenco – disse Tartá, em entrevista que você confere outros trechos no texto abaixo.

O que deu errado na final da Libertadores de 2008
– É triste até hoje tocar nesse assunto, é uma ferida que ainda incomoda. Mesmo sendo adverso o primeiro resultado lá em cima (na altitude de Quito), o grupo era tão qualificado, tão bom, que tínhamos a certeza que iríamos reverter o quadro no Maracanã. Na verdade, deu certo até conseguirmos levar para os pênaltis. Os nossos melhores batedores no momento não foram felizes nas cobranças e acabamos tendo essa noite amarga. Foi bem complicado.

Titulo Brasileiro de 2010: a liderança e confiança de Muricy
– Era um grupo muito bom também, o Fluminense tinha um elenco maravilhoso. Tínhamos um treinador muito bom que era o Muricy Ramalho, um cara que tinha uma visão muito ampla do futebol. Ele falava o que ia acontecer. Eu tive a oportunidade de chegar um pouquinho depois, mas ainda peguei uma boa parte daquele grupo. Trabalhar com esse treinador foi um prazer, foi especial. Ele confiou em mim, mesmo não me conhecendo tanto e eu pude ajudar naquele título.

Saudade do Flu, clube onde mais teve destaque
– Foram momentos muito bons. Tive a oportunidade de trabalhar com vários profissionais qualificados, de treinadores a jogadores. Pude aprender muito com eles. A gente sente falta desses momentos, mas já passou. Foi uma experiência, uma fase muito boa de recordar.

Reencontro com o Flu, clube que o revelou para o futebol
– Eu fiquei sabendo por alguns amigos, alguns torcedores que vieram conversar comigo, brincar. É sempre diferente, é o clube que me revelou. Eu já tive oportunidade de ter essa sensação. Mas, nesse momento, eu estou no Boavista para defender o meu, com todo carinho e respeito que tenho pelo Flu.

Brincadeiras nos tempos de Flu e zoeira de Renato Gaúcho
– Teve bastante (brincadeiras), mas algumas não podem ser contadas (risos). Tem uma bem legal do Renato Gaúcho. Nas suas duas ou três passagens pelo Fluminense, eu ainda estava no elenco. Sempre que ele voltava, perguntava: “Garoto, quantos anos você tem?”. Na primeira vez, eu caí nessa e respondi: “Tenho 18”. Ai ele falou: “Com 18 anos, eu já tinha dado três voltas olímpicas. E você? Ganhou o quê?” (risos). Na segunda vez, quando ele perguntou de novo, eu respondi que ainda tinha 18. Aí ele falou: “Po, eu já fui, já voltei e você continua com 18?”. Mas é um cara vencedor, eu já sabia que ele ia pegar no pé com isso. Eu tenho muito carinho por ele. Tem várias outras histórias com ele (risos).

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Período no BEC Tero Sasana, no futebol da Tailândia
– Foi bom. Eu conheci um novo país, um novo mercado no futebol. Está crescendo, mas eles ainda estão muito atrasados. Acho que me acrescentou mais como ser humano do que propriamente como jogador. Mas foi válido, trabalhei, recebi e agora retornei para retomar alguns sonhos.

Acerto com o Boavista para o Carioca
– Surgiu o interesse do clube, eu estive lá e conversamos. A princípio, cheguei para manter a forma. Depois disso, demos continuidade, assinamos compromisso. Eu vi que o Boavista dá total apoio a qualquer atleta para entrar em campo rápido. Suplemento, descanso, alimentação… Não fica devendo em nada ao que encontramos nos outros clubes.

Velho conhecido do Kashima Antlers, do Japão
– O Fellype Gabriel, na verdade, me aturou. Na época eu era muito mais novo, mais falante do que eu sou hoje. E ele é um cara, apesar de novo, muito mais sério. Tinha eu e um outro menino, o Igor Sartori (ex-Flamengo), filho do Alcindo. Nós aprontávamos lá, ficávamos perturbando ele para irmos para Tóquio, já que ele era o único que tinha carteira, que podia dirigir pra gente. Foi um período bem legal, sou muito grato ao Fellype, tenho muito respeito pela pessoa, por todo apoio que ele me deu lá.

O currículo de Tartá: do início no Flu ao Boavista
Revelado na base do Flu, Tartá subiu para os profissionais do clube em 2007, mas ganhou projeção na temporada seguinte. Em 2008, atuou em cinco partidas da campanha do vice da Libertadores. Já em 2010, também chegou a fazer parte do grupo que faturou o título brasileiro sob o comando de Muricy Ramalho e marcou gols importantes.

Depois, rodou por Atlético-PR, Kashima Antlers-JAP, Vitória, Criciúma, Goiás, Joinville, Ulsan-COR e Bragantino, onde esteve na temporada 2016. No ano passado, deixou o Brasil para defender o BEC Tero Sasana, da Tailândia. Este ano, é um dos nomes do Boavista para o Carioca.

O Boavista estreia no Carioca no dia 17 de janeiro, contra o Fluminense, no Elcyr Resende, às 16h30. O GloboEsporte.com irá acompanhar a partida em Tempo Real.